Falando de

Perdas

Eu passei toda a minha vida colocando os outros a minha frente. Pensando no outro antes de pensar em mim, pois tinha medo que eles fossem embora, amigos, colegas etc. E depois de todos esses anos fazendo isso, acabei por perceber que pouquíssimas vezes era reciproco, que a maioria das pessoas não conseguem se colocar no lugar dos outros. Dentro de cada ser humano tem uma criança mimada, batendo o pé e prendendo a respiração até ficar roxa e é ela que não permite que as pessoas se desculpem ou percebam que estão erradas. O nome dessa criança é orgulho.
Agora imagine quando alguém besta como eu, que sempre deixei que os outros levassem vantagem sobre mim, resolvi bater o pé, pelo direito que eu tinha de não me foder estando com a razão (porque nesse casos, isso era inegável, outras pessoas me ajudaram a ter certeza disso) e observar como elas ficam chocadas e ofendidas, sendo obrigadas a estar uma vez no seu lugar.
Nos últimos tempos tenho perdido algumas pessoas, algumas que realmente gostava, que me divertia e outras com quem eu me identificava. Sofri com isso? Sim, porque não deixei de ser quem eu sou, uma trouxona que só chora. Me sinto mal pela situação, mas ao mesmo tempo, dentro de mim a criança orgulhosa esta feliz por que eu consegui.
Mas a que preço?
Ainda acho que estou certa? Sim
Voltaria atrás? Não
As perguntas que eu não consigo responder são:
Essas pessoas que eu perdi foram um dia minhas amigas? Algum dia se importaram de verdade?
Valeria a pena dar um passo atrás, esquecer o orgulho e voltar a se sentir capacho para tê-las de volta?
Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
Hoje alguém me repetiu aquela coisa de deixá-los ir e se eles não voltarem é porque nunca foram seus. Fiquei pensando, do jeito que sou impaciente nem estarei mais aqui se voltarem e ainda que vá me lembrar deles (Porque fui amaldiçoada com uma boa memória para sofrimentos) será como uma lição: Não abaixar a cabeça e me magoar para não ferir os outros.

Sobre o autor

Carla, 29 anos, publicitária, fotografa, social mídia, artesã. Louca da natureza, velharias e bichos. Mais na aba aba sobre e por todo o blog.

(7) Comentários

  1. Eu também tô aprendendo a deixar amigos queridos partirem. Pra aplacar a dor, escrevo posts no meu outro blog mais confessional. E se tem uma coisa que eu aprendi é que, se alguém não tem mais utilidade na sua vida, insistir que essa pessoa permaneça é idiotice.

    1. O pior é sentir a diferença que faz quando ela vai embora. Incomodo, mas as vezes é necessário. E depois a gente nota que depois de algum tempo, nem faz mais diferença.

  2. Nossa, me bateu até uma nostalgia. Quem nunca foi assim que atire a primeir pedra. A gente aprende e finalmente para de bater com a cabeça na parede porque *surpresa* : isso machuca! Você está certíssima, e só quem passa sabe o quanto é difícil dar um passo assim.Beijos, e boa sorte. Mariana Nascimentosendopeculiar.blogspot.com

    1. Obrigada Mari. Bom final de semana 🙂

  3. “Amo a liberdade, por isso as coisas que amo deixo-as livres.Se voltarem é porque as conquisteiSe não voltarem é porque nunca as tive.” <3Desapegue!

    1. Olá, alguém que me repetiu a frase KKKKKKKKKK

  4. I’ve there, sweetie. It sucks.

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