Falando de

Eu percebi que não odeio rosa

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Use isso, vista aquilo, não fale tanto e nem muito alto. Eles não gostam disso, elas vão criticar, não está na moda, não combina. Porque você está agindo assim? Essa atitude não é aprovada, você não leu o livro de regras? Sem problema, temos aqui para você uma lista de deveres, incluímos até alguns direitos, caso você seja boazinha e merecedora.
Estou cansada de tantas listas, não quero saber os ’13 passos para agradar um homem’, nem os ’11 looks femininos que eles detestam’, nem ‘dicas para se tornar uma diva’, será que não é possível produzir conteúdo relevante sem cagar regra pra todo lado? É realmente ditar cada passo, como se sem orientação fossemos ficar todos andando em círculos?
Essa semana eu percebi porque eu sempre odiei a cor rosa. Bom, sempre não, a partir dos 6 anos, quando comecei a ir a escola, conviver em sociedade e perceber as diferenças de comportamento e tratamento. Quando meus pais me diziam que eu era uma mocinha e não podia sentar com as pernas abertas, eu não entendia realmente porque as pessoas esperavam que eu não saísse correndo pra brincar, mas ficasse sentada de pernas cruzadas e quietinha, “Essa dai parece um moleque”. Rosa era cor de menina e imediatamente reconheci a cor como simbolo de tudo que eu não queria ser, porque não era divertido ser menina, fofocar umas das outras e se fingir de adulta, era muito melhor brincar de pega pega e desenhar. Isso continuou conforme fui crescendo, eu não era muito “feminina” (falava muito palavrão, não me importava em rir alto ou sentar no chão, mas pera, ainda sou assim…) e isso acabou me afastando mais ainda das garotas, com poucas exceções, então simplesmente aceitei meu posto de “menina menino” e acabei por encontrar boas amizades entre homens, tratada quase de igual para igual…Mas peraí, eu só consegui isso porque estava, tecnicamente, agindo como um deles, porque? Continua errado.
E como é difícil arrumar amigas que não estejam competindo com você a cada segundo, que possam compartilhar com você a alegria de ficar feliz pelas vitórias uma da outra, amigas que a sociedade não tenha danificado seriamente.
E então esse ano eu escutei, de um parente, que esperava que quando eu fosse lá de novo (Estava viajando) estivesse casada, para ver se voltava mais mansa. Por que mulher solteira não tem voz ativa, não tem direito de opinar ou discordar e está se preparando o tempo todo para roubar o homem de mulheres de bem, isso piora se arrumar uma barriga, vai ser a “vagabunda” pro resto da vida.Eu comecei a estudar o feminismo há pouco tempo, mas quanto mais pesquiso e leio sobre, mais percebo que bate com o que eu pensava desde pequeninha. Porque eu preciso competir com outras meninas/mulheres? Porque procuramos tantos defeitos umas nas outras e julgamos atitudes, sem nem ao menos ter noção do que a outra pessoa está passando (apesar da nossa vontade de nos por no lugar dos outros, nunca vamos saber realmente o que aquela pessoa está sentindo no momento)? Estou buscando todas essas respostas.
O que eu sei é que minha caixa de lápis de cor é repleta de cores e uso quase todas elas para pintar uma pessoa e não só azul ou rosa e nada, nem as pessoas, nem os lápis, são melhores uns que os outros.

Sobre o autor

Carla, 29 anos, publicitária, fotografa, social mídia, artesã. Louca da natureza, velharias e bichos. Mais na aba aba sobre e por todo o blog.

(15) Comentários

  1. Carla, eu usava tudo cor-de-rosa, TUDO (!) até os 7 anos…
    E foi com essa idade que eu percebi que eu não queria ser do jeito que minhas amiguinhas eram, todas “meninhinhas”. Eu queria correr, sentar de perna aberta e sempre estar com os meninos. Foi aí que eu descobri minha cor preferida, o azul. Na época, eu dizia que azul era minha cor favorita pq eu percebia (mas nao entendia) que essa a cor dos “meninos” e que os meninos eram legais, e eu, claro, queria ser legal. HAHAHAH. Pense tudo isso na cabeça de uma criança… que louco!

    Daí em diante eu passei a andar mais com os meninos pq tudo que eles faziam eram legal, e as meninas só sentavam e brincavam de boneca ou de chazinho ¬¬ E eu só queria correr.

    Como minhas histórias são sempre longas, vou pular logo pra parte que concordo ctg e faço das tuas palavras as minhas.. “quanto mais pesquiso e leio sobre feminismo, mais percebo que bate com o que eu pensava desde pequeninha”.
    Quando parei pra ler muito sobre isso, logo percebi várias coisas que já estavam comigo desde pequena e só despertaram por agora, mas que bom que despertaram!
    Lembro até hoje o dia que disseram que eu tinha que depilar minha perna pq ela parecia de homem… Na época, depilei mesmo sem entender o que aquilo significava direito perante a sociedade, pois eu tinha 11 anos. E muito menos sem imaginar que eu poderia ter uma disfunção hormonal e que muitos pêlos poderiam ser tratados com medicamentos. (o que descobri anos depois)

    Enfim, falei demaaais…. (e poderia falar muito mais hhahahha)

    Concordo com tudo que tu falaste, querendo conversar sobre o assunto, estamos aqui!
    Beijo!

    1. ISSO! BEM ISSO! Eu queria correr e eu corria, loucamente, KOPAKSOPKAOPSAOPSKOA. Cara, isso é tão engraçado, como a gente já cresce assim. E quantas vezes não me disseram que eu parecia lesbica? tenho certeza que fazem isso contigo também. E pode fazer comentários gigantes viu, gosto de ler. <3
      E vou chamar pra conversar mesmo!

  2. Carlotaaaaa o texto ficou maravilhoso e apesar de sempre sr do clube da lulu quando mais nova, eu tinha um exemplo que era minha irmã e sempre pensou assim como você. Não sei porque você estava com receio de postar esse texto. Trate de postar mais hein

    1. Awn, que bom que tu gostou Simone! Não sei, fiquei com medo mesmo, kOPAKOSPKAPOSKA, agora estou mais aliviada. <3

  3. O dia que as pessoas pararem de julgar qualquer coisa, o mundo será um lugar melhor, pois não haverão rótulos e só o BEM que importará.

    Eu também percebi que não odeio o rosa depois de adulta, porque na verdade o que eu odiava era a prisão que o rosa se tornava. Eu não gostava de brincar de bonecas, odiava ter que ficar sentada quieta enquanto todos os meus primos se divertiam e eu sempre culpei o danado do rosa ( me recusava a usar).

    Não estudo o feminismo assim como também não apoio o machismo e acho que para tudo tem que haver um equilíbrio.

    Abraços

    http://www.hipermetropiafashion.com.br

    1. Bem assim que eu me sentia Aline, o rosa era uma prisão em que eu não queria ficar.
      O Feminismo e o machismo não são opostos, ainda convido você a estudar o feminismo também, nem precisa defender a ideia nem nada, só saber mesmo como é o movimento, beijo. Obrigada por comentar!

  4. Ana Duarte diz:

    Carla, ao ler seu texto, senti que boa parte das coisas que você desabafou, são coisas que temos em comum. Na verdade, nem sempre me senti assim. Não sou de odiar o rosa, sempre brinquei de boneca e até gosto de boa parte dessas coisinhas mais femininas (apesar de só ter UM vestido no guarda-roupa). Mas também sempre fui dessas de sentar de perna aberta, andar com um grupo de meninos e adorar brincar de pega-pega.
    A verdade é que apesar de ter tanta amizade com meninos, não concordo com boa parte das coisas que meus amigos acham que é o dever das mulheres. Não sei ao certo qual a definição para mim. Só sei que não concordo que mulheres tem que ser como a sociedade quer. Na verdade, qualquer pessoa. Acho que se os “rótulos” fossem extintos, as coisas seriam bem melhores…

    Bom, não sei muito sobre feminismo. E precisei comentar, porque adorei seu texto e me deu bastante vontade de saber mais sobre isso.
    PS.: Voto por mais textos assim no blog. =)

    1. Fiquei muito muito feliz com seu comentário Ana, espero que você comece a se iterar o assunto de agora em diante e se for sério mesmo seu interesse há grupos no face que ensinam um pouco mais sobre feminismo (qualquer coisa me chama por inbox, que te ajudo a entrar no que faço parte).

  5. Como nao dá pra responder a tua resposta (?), vou falar aqui…

    SIM! Mil vezes me questionam sobre isso, ser lésbica. Imagina, meu primeiro namorado foi com 19 anos e nunca fui muito interessada em maquiagem, aí já viu AHAHAHAHA.

    Lembro que AMAVA MUITO a Capricho, mas uma amiga minha, da época, fez eu criar raiva da revista bem mais cedo do que deveria HAHAHHA. Eu comprava e levava pro colégio, mas eu comprava pra ver a coluna do Lúcio Ribeiro (música) e a do Jerry (micos), comprava principalmente quando eram bandas na capa… Mas eu tinha uma amiga que já amava maquiagem desde uns 13 anos, e ela só queria ver isso na revista, e isso me irritava profundamente pq PRA MIM a revista era muito mais que aquilo. Claro, que eu tb tinha consciência que de cada um gosta do que quer.
    Mas teve um ano que essa minha amiga passou a viciar muito em maquiagem a ponto de passar os 20 minutos de intervalo das aula só PASSANDO RÍMEL no banheiro u_u
    Até hoje eu nao consigo ser a mesma com ela por lembrar de tudo isso que ela fez comigo, sem saber, né?! Ela nem sabe que fez tudo isso pra mim… HAHAHAHAHA

    1. Muito isso! Meu primeiro namorado foi com 18, hahahaha.
      Cara, entendo super isso, tudo que passava da dose, que me irritavam e etc, eu evitava. Minha amiga de infância também se desviou do rumo que a gente levava, sinto tanta falta disso, até hoje, porque nunca mais foi a mesma coisa. BUÁÁÁÁA, VOU TE CHAMAR POR INBOX, se não vamos ficar nisso pra sempre, hahaha.

  6. Que texto incrível! Super concordo com você.
    Fiz um núcleo livre de feminismo na faculdade e mudei completamente minha forma de olhar para as outras mulheres. Faz muita diferença ver todas como irmãs e estou amando isso!
    Beijos no coração! ♥

  7. Bom dia, Carla.
    Muitas verdades no teu post.
    Como assim “mansa”? Isso me revoltou, sério! Aff, essas pressões são desnecessárias.
    Seguindo, beijos.

    1. Aparentemente eu me irrito muito com as coisas, as pessoas com que convivi por lá, durante a viagem, eram super preconceituosas, machistas e desnecessárias…

  8. Me identifiquei muito com você! Fui bem moleca, até entrar na adolescência. Ainda assim, sempre fui meio rebelde e sempre questionei essa babaquice toda. Gosto de rosa, mas por gostar e não porque não posso preferir o azul. Não pretendo casar, nem ter filhos, nem ficar o dia inteiro cuidando da casa. Não que eu ache errado fazer isso, mas porque quero viver minha vida, sabe? Tenho tanto direito de ficar solteira quanto qualquer homem e tenho toda a liberdade de sonhar com coisas além de ser dona de casa e mãe. E já decidi que, se alguém criticar, dane-se. Quem disse que a gente precisa se encaixar, né?

    1. Isso mesmo, tu tem que buscar sua felicidade, independente do que os outros acham!

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