Falando de

Nesse segundo eu tô bem

Estou bem, mas agora, agorinha. Não posso responder pelos próximos cinco minutos.
Qualquer coisa pode acontecer, uma mensagem pode chegar, posso lembrar que não paguei um boleto ou mesmo imaginar cenários envolvendo ônibus em alta velocidade e pessoas que amo ou mesmo um vírus.


Porque não tenho controle. E olha isso, nós vivíamos num trem em movimento, gente entrando e saindo, passando por situações lugares onde coisas poderiam acontecer ou não. Os ansiosos já lidavam com o “E se” antes, e de repente, o trem descarrilou, começou a virar de lado e muito mais gente passou para o lado da ansiedade, qualquer falsa estabilidade, qualquer despreocupação e segurança, deixou temporariamente de existir enquanto estávamos suspensos no segundo do acidente, em câmera lenta, presos na situação, tentando entender o que estava acontecendo, perdendo pessoas pelas janelas e nos preparando pro impacto.

Antes que o impacto chegasse, piscamos e ao abrir os olhos, o trem está em pé novamente, nós machucados, olhando em volta nos perguntando, e agora?

Agora seguimos em frente, vamos indo? Com gratidão inconsequente abraçando e criando oportunidades e situações que tínhamos medo antes? Cortando de vez laços indesejados de nossas vidas, que descobrimos ser curta? Encontramos quem realmente somos ou nos perdendo completamente.

Agora eu tô bem, tá melhorando, mas por favor, não me pergunte de novo daqui a pouco.

Sobre o autor

Carla, 29 anos, publicitária, fotografa, social mídia, artesã. Louca da natureza, velharias e bichos. Mais na aba aba sobre e por todo o blog.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *